Por volta dos doze anos descobri Ágatha Christie e os romances policias. Nessa mesma época influenciada pelos filmes do Indiana Jones, decidi que me tornaria uma escritora de romances. Imaginava até mesmo a repercussão dos meus livros na imprensa “mundial”, com direito a seqüestro por um xeique apaixonado, comoção popular e tudo mais. Corta. Graças ao bom Deus, ao bom senso e a uma professora de história, por volta dos 14 anos comecei a ler biografias: Olga Benario, Sartre, Mahatma Gandhi, Che Guevara, entre outros. Me filiei a União da Juventude Socialista, li muito Karl Marx e decidi que faria a faculdade de sociologia.
Entre os 16 e os 20 anos, achei que precisava de livros de auto-ajuda para superar conflitos de ordem sentimental, intelectual e existencial. Eu era alguém a procura de um príncipe encantado ou um companheiro de luta?
Uma lunática, vaidosa e consumista, ou alguém comprometida e com vocação para estudar e defender causas sociais?
Superado alguns destes conflitos e ouvindo outras opiniões, percebi que através do jornalismo poderia conciliar vários interesses escrevendo. Poderia me tornar uma jornalista do factual, do buraco de rua, falar de cultura política ou futebol, trabalhar com pesquisas ou escrever livros. A faculdade foi um oásis do saber. Não estava mais perdida e compreendi como a leitura orientada e discutida gera conhecimento sólido e transformador.
Quando você acha que finalmente cresceu e amadureceu, a vida lhe testa novamente. Te sacode, te empurra, te provoca. Talvez seja isso que nos torne eternos, finitos, inacabados.

Um bom final de semana!